quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Como era dificil Governar: Mais ele conseguiu

A vez da esquerda

As eleições para prefeito de Maceió, tinham três candidatos: dois do governo (o senador Teotônio Vilela Filho, do PSDB e o deputado estadual José Bernardes, do PFL) e mais o ex-deputado Ronaldo Lessa, do PSB (esquerda). As pesquisas indicavam Lessa como lanterninha. E assim ficou até o dia da eleição.

Na pesquisa de boca-de-urna, a surpresa: Ronaldo Lessa disparou na frente. E venceu mesmo, derrubando o poder dos caciques da política alagoana, que há vários anos mandava no Estado. Foi a revolta da população de Maceió com as péssimas administrações e a bandalheira desenfreada.

Ronaldo Lessa fez uma administração reconhecidamente boa por todos os segmentos da sociedade. Mas o governo do Estado continuava em poder da oligarquia formada pela dobradinha Suruagy/Guilherme. E assim chegaram as eleições de 1996 para a Prefeitura. Disputaram: Kátia Born (PSB) apoiada por Lessa; Heloisa Helena, do PT, que rachou a esquerda, além de Pedro Vieira, pelo lado do governo, sem chances. Venceu Kátia Born, um passo para fazer Lessa governador no ano seguinte, o que aconteceu, derrubando o candidato Manoel Gomes de Barros, então governador, apoiado pelo presidente da República e outros caciques da política como Teotônio Vilela Filho e Renan Calheiros. Heloisa Helena, ganha para o Senado, derrotando Gulherme Palmeira. Todos os ex-governadores sairam perdendo: Divaldo Suruagy, não consegue eleger-se deputado federal; Moacir Andrade, também perde sua vaga de deputado federal e o ex-governador Geraldo Bulhões não conseguiu eleger Denilma Bulhões, para deputada estadual. Foi o início da esquerda no poder. Um avanço na política alagoana.

O governador esquerdista, está sempre tentando o diálogo com o governo federal, empresários e políticos de várias facções. Teve de fazer um acordo com o chamado “Grupo dos 14”, alusão aos deputados de oposição. Ganhou a maioria na Assembléia, para ter seus projetos aprovados. Mas perdeu o apoio da esquerda. Pretende tirar Alagoas do fundo do poço, produto de administrações desastrosas, que priorizavam o empreguismo e a gastança desenfreada.

Sua luta maior é reduzir o chamado duodécimo da Assembléia Legislativa e do Tribunal de Justiça. Não vem conseguindo, e comprou uma briga, principalmente com o Judiciário, que além de não aceitar a redução, quer um aumento. Ninguém abre mão dos altos salários. Só com a posse do novo presidente do TJ, desembargador Fernando Tourinho, a paz se restabeleceu entre Executivo e Judiciário.

Como não consegue derrubar a legislação que ampara esses privilegiados marajás, o governador vem tentando reduzir salários do Executivo. Também demite os funcionários irregulares, contratados sem concurso público. Outra briga. Ninguém se conforma. Afinal, “o bolso é a parte mais sensível do corpo”. Existem também salários altos entre os funcionários do poder Executivo. Não necessariamente como os do Legislativo e Judiciário. Mas, altos, sim, para quem vive num Estado pobre, com milhares de desempregados e o maior índice de analfabetismo e mortalidade infantil do país.

Ficar do outro lado, criticar e prometer mudar tudo, é muito fácil. Quando se chega ao governo, constata-se como é difícil governar. Os vícios são muitos. Ninguém quer perder. Obviamente, que os perdedores são sempre os sofridos servidores públicos do Poder executivo. Os do legislativo e judiciário, são amparados por lei e não perdem nada. A não ser quando surge um presidente, que queira cortar. Mas, a Justiça sempre ampara ,e tudo volta a ser como antes.

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